quarta-feira, 11 de março de 2009

Desabafo

Eu me impressiono com a capacidade das pessoas em se tornarem piores!

Eu olho para trás da minha longa vida, e vejo que a maioria piorou. E não falo daquele comentário básico não, "nossa! ela engordou!" Ou " Ele está mais careca"...
Falo de pioras no carater, quem antes "fumava um" agora tá acabado, quem tinha um relacionamento tenso agora se engalfinha pelas ruas, quem era insegura, agora sustenta o namorado e continua sendo traída.

Será que eu piorei tanto assim???

Engordar, eu engordei.

Mas será que minha Igreja não em ensinou nada? Será que não aprendi a perdoar a mim mesma e aos outros? Será que não aprendi a valorizar o que há de bom nos outros e a não julgar?
Será que eu pensar isso já é julgar?

Mas eu acho que é uma observação. Pura e simples.

E triste.
Uma constatação de que as pessoas acabam piorando. As falhas pequenas se tornam fraquezas muito maiores!
Na Igreja aprendemos que os pecados veniais, quando não confessados, nos fazem ficar fracos e cair nos pecados mortais?

Será que é isso que ocorre?

Vou aproveitar o tempo da quaresma pra meditar sobre isso...
E verificar quais falhas, quais hábitos, vão me derrubar ainda mais...

terça-feira, 10 de março de 2009

Juventude Consciente

Esta carta foi escrita por um jovem estudante de medicina Artur Costa, aos seus professores.
Na contramão de uma juventude vazia, irresponsável e alienada, encontramos gente que nada contra maré e busca uma formação moral, constrói uma sociedade melhor e não se omite.
Obrigada Artur,por me ceder o texto, e pela coragem que defende sua fé.
NO mundo universitário, onde a Igreja é constantemente atacada, sua atitude é uma forma de martírio! pela sua coragem!



Estimados professores Rivaldo e Olimpio e reitor Carlos Calado.

Sou estudante do 10 período da FCM - UPE, e estou escrevendo este e-mail para prestar a minha solidariedade ao Arcebispo de Olinda e Recife, D. José Cardoso Sobrinho. Em primeiro lugar, Dom José não excomungou ninguém, segundo a imprensa, que é maldosa e tendenciosa, informou. Como, boa parte de vocês declaram ser católicos, apesar de não entender a doutrina, vou explicar algumas coisas.
De acordo com o código de direito canônico, existem 7 ocasiões que levam um católico a ser excomungado latae sententiae:

1 - Profanação do santíssimo sacramento
2 - Agressão física à pessoa do Papa
3 - Revelação por parte do sacerdote de segredos de confissão
4 - Absolvição por um sacerdote do cúmplice do pecado da carne
5 - Ordenação sacerdotal de Bispos por outros bispos sem autorização do Papa
6 - Apostasia e Cisma por parte de um católico bem informado.
7 - ABORTO

Logo, com isso, chegaremos à conclusão que o Bispo não excomungou ninguém, uma vez que todos os que participaram do procedimento já foram excomungados AUTOMATICAMENTE. Excomunhão Latae sententiae significa isso: EXCOMUNHÃO AUTOMÁTICA NO MOMENTO DO ATO. E o Arcebispo nada mais fez do que lembrar o que está previsto pela lei canônica, que é uma lei promulgada pelo Papa, e consequentemente de Deus, uma vez que o Papa quando se pronuncia em questão de fé e de MORAL, se pronuncia in persona christi. Cristo deu as chaves dos céus para o Papa, para que o mesmo tivesse esse poder de ligar e desligar de forma infalível. Logo, a condição para ser católico é acreditar nisso. Quem não acredita nessa questão de fé, não é católico. NINGUÉM É OBRIGADO A SER CATÓLICO.

A outra atitude de Dom José foi procurar a família a menina, e tentar intervir no processo para que o procedimento não fosse feito. Em momento nenhum a integridade moral do senhor professor foi ferida, e nem sequer Dom José faltou com respeito a ninguém. Muito pelo contrário, o que eu só ouvi por parte das pessoas que convivo ao redor foram manifestações de ridicularização e ofensas ao nosso Arcebispo. As pessoas, a imprensa, a declaração universal dos direitos humanos defendem tanto a liberdade de expressão... Agora o Bispo é uma exceção, e deveria ser proibido de se expressar? Que hipocrisia é essa? Que ditadura do relativismo é essa?
Por acaso é atribuição da medicina decidir o que é moralmente correto ou errado? Que eu saiba, a função da medicina é a de salvar vidas, de amenizar o sofrimento. NUNCA MATAR, não importa os argumentos sentimentalóides que costumeiramente se propaga por aí. Decidir o que é moralmente correto ou errado é atribuição da filosofia. Isso está fora do campo da medicina, embora deva caminhar junto. Por sinal todo sacerdote para ser ordenado precisa ter estudo de filosofia e teologia. Coisa que nós médicos e estudantes da medicina não temos. Logo é competência de Dom José intervir na questão moral sim. E a sua opinião não pode ser ridicularizada nem impedida por ninguém. É direito dele se expressar, desde que não falte com respeito com ninguém.

Qual a atribuição da moral? Nada mais nada menos que interpretar a lei natural. A declaração universal dos direitos humanos nada mais é do que uma tentativa de interpretação da lei natural. E o que é a lei natural? É a lei que rege a inclinação natural de todos os seres vivos. Um exemplo disso é que todo ser humano é inclinado a fazer o bem. Todo ser humano sabe que é certo fazer o bem, e é errado fazer o mal. Está no coração de todo ser humano que é errado matar uma pessoa inocente. E aí poderemos citar vários exemplos. A lei natural está no coração de todos os homens. E a declaração universal dos direitos humanos nada mais é que uma tentativa de interpretação disso. Os 10 mandamentos nada mais é do que um resumo dessa lei natural. Uma vez que a lei natural é fato concreto, chegaremos à conclusão que o bem e o mal são absolutos. A relativização do certo e do errado significa dizer que qualquer crime ou absurdo pode ser uma atitude correta de acordo com o ponto de vista das pessoas. É a negação completa da lei natural e da existência de Deus. Logo, a mesma deve ser levada em consideração sempre. E Dom. José interveio dentro desse contexto, que NÃO É UM CONTEXTO CIENTÍFICO, mas moral!
Sabendo que é intríncecamente mal matar um ser inocente, e que nunca podemos ver no mal uma solução, chegaremos ao assunto Aborto. Perceberam que o assunto fé não entrou aqui em nenhum momento? E realmente não é questão de fé. É questão de ética. Coisa que todo ser humano tem o direito de intervir e opinar. E quando discutimos o que é certo e errado, a razão, e somente a razão deve fazer parte do discursão. O que a gente vê frequentemente por meio da mídia de das pessoas em geral são argumentos sentimentalóides, que estrapolam os limites da razão, e que não medem as consequências das atitudes. Evitemos isso!
Menina de 9 anos de idade foi estuprada várias vezes pelo padrasto, e engravidou, pior ainda! Gravidez gemelar. Todos vocês sabem que uma menina de 9 anos pode engravidar e pode dar à luz, como já ocorreu em outras situações. Gravidez na infância e na adolescência é uma triste realidade do nosso mundo. Toda gravidez tem o seu risco. Não é a toa que se usa os termos ´´baixo risco´´ e ´´alto risco´´. O CISAM é especializado em alto risco. E a medicina, como falei antes, tem a atribuição de salvar a vida da mãe, e a vida do filho. O bom tratamento da mãe é o melhor tratamento para a vida intra-uterina. Até que alguém me prove o contrário, a gravidez da menina era cientificamente viável. Todos nós sabemos que a medicina é imprevisível, e é assim como devemos encará-la. E na minha opinião, a conduta correta deveria ser esperar a evolução do caso, acompanhar de forma contínua a gravidez, e induzir o parto se necessário, sempre procurando SALVAR VIDAS, que é a verdadeira atribuição da medicina. Se alguém me provar o contrário com o devido respaldo da ciência, EU mudo de opinião, e ainda explicarei pessoalmente a situação ao Arcebispo Dom José, que certamente também mudará de opinião, e voltará atrás. Se foi estupro, se foi acidente, se foi o alienígena, NADA justifica pela razão a destruição da vida intra-uterina. Consequências psicológicas... abortando ou não, a menina carregará pra sempre da mesma maneira. Não existe estudo científico de credibilidade que prove algum benefício ou malefício a esse respeito. Argumentos sentimentalóides não substituem a razão, mesmo estando previsto por lei a autorização do procedimento. Professores Rivaldo e Olímpio, respeito muito vocês, tenho uma simpatia especial pelo prof. Rivaldo, vejo em vocês professores comprometidos com a FCM - UPE, mas é FATO que vocês são defensores ferrenhos da legalização do aborto em todas as ocasiões, e que essa foi uma oportunidade de instigar a população e propagar o que vocês pensam. Eu sei disso.
Bem, caros professores, estou a disposição de vocês, espero não os ter ofendido com nenhuma palavra. Espero inclusive artigos científicos que contribuam para esclarecer o caso e para contribuir para minha formação acadêmica. Estou disposto também a realizar iniciação científica com vocês dentro da área dos riscos que envolvem a gravidez na infância e adolescência, caso vocês se interessem.

Um Abraço, Artur Costa.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Ainda sobre o Alecrim

Há pouco mais de um mês, em uam crise de chatisse e "mau homorisse" ( é neo-logismo, gente)absurda meu pai em enviou um email sobre o alecrim.

É verdade, eu tinha todos os motivos do mundo para estar chata.
MAs, de repente, um xícara de chá de alecrim me deu muitos mais motivos pra ficar feliz!

Dá pra acreditar?

Se me contassem não acreditaria, mas como curiosa que sou, tomaria uam xícara de chá pra ver o que acontece!

Experimente!





ALECRIM E SUAS PROPRIEDADES:

PARA FORTALECER TODAS AS PARTES E MEMBROS DE DENTRO E
DE FORA DO CORPO, ALEGRA E FORTALECE OS SENTIDOS.

CONSOME AS UMIDADES, FRIALDADES E TODOS OS MALES CONTAGIOSOS.
MELANCOLIAS, TREMORES, DESMAIOS NO CORAÇÃO.

OS OLHINHOS MAIS TENROS DO ALECRIM, COMIDOS PELA MANHÃ COM PÃO E SAL, FORTALECEM A CABEÇA E CONSERVAM A VISTA CLARA AGUÇADA E FORTE.
-.-

A FLOR E FOLHAS DA MESMA ERVA FEITAS EM PÓ E TRAZIDO NO SEIO,
AFUGENTA OS TRÊS INIMIGOS DO CORPO: QUE SÃO ELES:
AS PULGAS, PIOLHOS E PERCEVEJOS.
-.-

O MESMO PÓ NO SEIO DO LADO ESQUERDO, ESPANTAM
A MELANCOLIA DO CORAÇÃO E TRAZ-LHE MUITA FELICIDADE.
-.-

AS FOLHAS BEM MASTIGADAS E COLOCADAS SOBRE
UMA CHAGA FRESCA, CURAM-NA E FECHAM-NA.
-.-

A FLOR DO ALECRIM COMIDA PELA MANHÃ COM MEL TIRADO
DA MESMA FLOR E UM PEDAÇO DE PÃO QUENTE,
FAZ MUITO BEM A SAÚDE, NÃO DEIXA GERAR SANGUE PODRE, MAL DA GOTA.
E SE ALGUÉM TIVER MAL, O ALECRIM TIRA.
-.-

O ALECRIM SERVE PARA AFUGENTAR TODO O ANIMAL VENENOSO
E O SEU FUMO SERVE CONTRA O MAL E A PESTE.
-.-


OS RAMOS DE ALECRIM, TAMBÉM SERVEM DEPOIS DE
QUEIMADOS E FEITOS EM PÓ, PARA FORTALECER OS DENTES.
-.-

TODA MULHER QUE COMER A FLOR DO ALECRIM EM JEJUM
COM PÃO DE CENTEIO, NÃO PADECERÁ DO MAL DA MADRE,
PORQUE LHE REPRIME OS MAUS HUMORES, CORTA A UMIDADE E CURA O CHOQUE.

TODAS AS PESSOAS QUE USAREM A FLOR DO ALECRIM,
COLOCADA EM LUGAR QUE ESTIVEREM GUARDADAS AS ROUPAS,
NÃO DEIXA ENTRAR TRAÇA E DÁ-LHE BOM CHEIRO.

e para varios outros usos

Alecrim





ALECRIM (Rosmarinus officinalis L.)

Arbusto bastante ramificado que chega a medir até 1,5 metros de altura. As folhas são pequenas, finas e cheirosas. São verdes na parte superior e acinzentadas no dorso inferior. Suas flores azuis, brancas ou lilás. O alecrim é originário da Europa e é conhecido desde a antiguidade pelas suas propriedades medicinais. Para cultivar o alecrim, basta destacar um galhinho da planta adulta e plantá-lo. Esta planta gosta de clima quente, bastante sol e pouca água. É possível cultivá-lo também em vaso. Pode ser colhido em qualquer época do ano e para reforçar a planta, ela deve ser podada no outono.

COMO USAR O ALECRIM:

1º) Chá ou infusão - A infusão feita com as folhas e flores de alecrim serve para: digestão difícil, fadiga física e mental, palpitação, nervosismo, cicatrização de feridas, cólicas menstruais, dores musculares, limpar a pele do rosto e melhorar a circulação das pernas.

2º) Banhos - Serve para todos os problemas citados acima e também para fortificar crianças fracas, além de ser relaxante.

3º) Inalação: A inalação é indicada para descongestionar o nariz e combater gripes.

4º) Fumaça: O alecrim colocado sobre brasas desinfeta o ambiente.

5º) Desinfetante: Ferver o alecrim, eucalípto e sálvia; esta mistura serve para desinfetar banheiro, pias e chão.

6º) Tintura: Colocar 50 gramas de folhas em 1 litro de álcool e deixar em maceração por 10 dias em local escuro. Usar em dores musculares, reumáticas, contusões e para esquentar os pés. Também serve para combater caspa e queda de cabelo.

7º) Vinho: Usar 1 litro de vinho, 25 gramas de folhas de alecrim, 20 gramas de sálvia e 15 gramas de mel. Aquecer em banho - maria por 20 minutos e coar. Tomar 1 cálice antes das refeições. É bom para fraqueza e esgotamento.

8º) Pomada: Para dez partes de gordura vegetal, usar uma para parte de tintura de alecrim com chapéu de couro e arruda. É usada para sarna.

Precauções que devemos tomar com o uso do alecrim: O chá de alecrim pode subir a pressão arterial e não deve ser usado por mulheres grávidas.

A semana começa triste

Um sentimento de incômodo permanente.

Uma desagradavél sensação de aperto, que não passa, não diminui, nem aumenta só insiste.

Um acidente horrível, em que as pessoas insistem em contar os detalhes e especular como ocorreu.

Um assassinato sórdido, cruel e covarde, que choca e entristesse.

Um envenenamento acidental que faz um cachorrinho ter convulsões, dores entre outros terríveis sintomas.

A criança que aborta outras crianças e a imensidão de críticas a um homem que diz a verdade, como ela é.

Coisas que acontecem todos os dias e que faz com que a semana comece mais triste, mais negra, mais dolorosa...

sábado, 7 de março de 2009

Não matarás.

A gravidez da menina de 9 anos, que teria sido abusada pelo padrasto, foi interrompida na manhã desta quarta-feira (4). Segundo o diretor médico do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, da Universidade de Pernambuco (Cisam/UPE), Sérgio Cabral, os dois fetos foram expelidos.

O Thiago me perguntou o que eu achava da atitude do bispo D.José Cardoso Sobrinho. Minha resposta foi simplesmente. Ele está certo. É bispo da Igreja e sabe mais do que eu. Se a Igreja diz que estão excomungados, eles estão excomungados e pronto.

Não quero entrar no mérito do aborto, ou dos médicos ou da menia nem mesmo do padrasto. O que me incomoda nessa história horrenda é que TODOS, só falam do bispo!

Somo seres livres. Deus nos deu essa faculdade. Somos livre para sermos médicos, sermos bispos, para abortarmos e até mesmo para estuprarmos. É uma questão de escolha!

E principalmente, somos livres para sermos CATÓLICOS!

A Igreja Católica não aceita o aborto. A Igreja Católica nos ensina que estamos assassinando uma vida. A Igreja, como mãe e mestra que é, nos diz que a vida da criança produto do estupro não pode ser exterminada sob nenhuma hipótese.

Me surpreende que até o presidente da república dê seu palpite sobre uma Excomunhão!
Isso só diz respeito aos católicos! Se eu comer um bife de vaca certamente seria "excomungada" na índia e por acaso me importo!?

Não existe "católico pelo direito de decidir", não existe "católico espírita", não existe "católico maçon".

Não existe.

Não se pode ser "palmeirense - santista"

Obviamente, cometemos pecados, ferimos a Santa Igreja e o coração de Nosso Senhor, mas aceitamos o fato, e buscamos a conversão!

Então, aos católicos: Essa é sua Igreja! Aliás, a única Igreja de Cristo. Você é católico? então, ame-a ou deixe-a!

Não se pode arrancar uma planta de suas raízes

Retirado do blog do Prof. Felipe Aquino, carta de uam religiosa vítima de um estruto!
Artigo que conheço à tempo e que me emociona sempre que leio...



A Irmã Lucy Veturse, da Bósnia, foi estuprada por soldados sérvios durante a guerra entre essas etnias da antiga Iugoslávia, após a queda do comunismo. Embora violentada e humilhada, ela não admitiu o aborto e preferiu ter que deixar a vida religiosa para criar seu filho, do que abortá-lo.



Eis, a seguir, a carta emocionante que ela escreveu à sua Superiora ( publicado na revista Pergunte e Responderemos, Nº 386, 1994, págs. 318 a 321), que publiquei em meu livro “Entrai pela porta estreita”:




Revda. Madre Geral,



Eu sou Lucy Veturse, uma das Junioristas que foram violentadas pelos milicianos sérvios … acontecimento que atingiu a mim e às duas Irmãs Religiosas: Tatiana e Sendria.



Seja-me permitido não descer a certos particulares do fato. Há experiências tão tristes na vida que não podem ser comunicadas para ninguém a não ser àquele Bom Pastor a quem me consagrei no ano passado com os três votos religiosos.



O meu drama não é a humilhação padecida, como mulher, nem a ofensa insanável feita à minha escolha existencial e vocacional, mas é sobretudo a dificuldade de inscrever na minha fé um acontecimento que certamente faz parte do insondável e misterioso plano dAquele que eu continuarei a considerar sempre o meu Divino Esposo.



Tinha lido, poucos dias antes, o “Diálogo das Carmelitas” de Bernanos e me tinha sido espontâneo pedir ao Senhor poder eu mesmo morrer mártir. Ele me tomou na palavra,…mas de que jeito! Encontro-me atualmente numa angustiante noite escura do espírito. Ele destruiu o projeto de vida que eu considerava definitivo para mim. De improviso me inseriu em um novo desígnio que neste momento é , para mim, ainda a ser descoberto.



No meu caderno de notas tinha escrito, nos anos de minha adolescência, que nada é meu, eu não pertenço a ninguém, ninguém me pertence. Alguém, pelo contrário, me apanhou, numa noite que não queria mais lembrar, me arrancou de mim mesma, pensando tornar-me algo dele.



Era dia quando acordei; o primeiro pensamento foi mesmo aquele da agonia de Jesus no Horto. Desencadeou-se em mim uma luta terrível: perguntava-me, de um lado, por que Deus teria permitido que eu fosse dilacerada e destruída, naquilo mesmo que eu considerava a razão do meu viver, e, de outro lado, para qual novo chamado queria Ele que eu me candidatasse.



A custo, levantei-me e, enquanto auxiliada por irmã Josefina, procurava-me arrumar, escutei do Mosteiro das Agostinianas, que se situava perto do nosso, o toque do sino de Sexta. Fiz o sinal da cruz e mentalmente rezei o hino da Liturgia: “Nesta hora foi nos dada gloriosa salvação, pela morte do Cordeiro, que na Cruz trouxe o perdão…”



O que é, Madre, o meu sofrimento e a ofensa padecida em comparação a tudo aquilo que sofreu Aquele pelo qual eu tinha mil vezes prometido dar a vida? Disse então bem devagar: “Seja feita a tua vontade, sobretudo agora que não tenho outro apoio senão a certeza de que Tu, Senhor, estás perto de mim”.



Escrevo, Madre, não para receber da senhora conforto, mas para que me auxilie a agradecer a Deus por me ter associado a milhares de minhas compatrícias ofendidas na honra e forçadas à maternidade indesejada. Minha humilhação junta-se à delas e, pois que não tenho outra coisa para oferecer para a expiação dos pecados cometidos pelos anônimos violentadores e para uma pacificação entre as duas opostas etnias, aceito a desonra padecida e a entrego à misericórdia de Deus.



Não se surpreenda se eu lhe peço compartilhar comigo o “obrigado” que poderia parecer-lhe absurdo. Chorei, nestes meses, todas as minhas lágrimas pelos meus dois irmãos assassinados pelos mesmos agressores que estão espalhando terror em nossas cidades e pensava que mais do isso não poderia sofrer. Nem imaginava que a dor pudesse ter bem outras dimensões…



À porta do nosso convento batiam cada dia centenas de criaturas famintas, tiritando de frio, com o desespero nos olhos. Lembro-me que na semana anterior uma moça de dezoito anos me tinha assim falado: “Felizes vocês que escolheram um lugar onde a maldade não pode entrar”. Tinha em mãos o livro “As alegrias do Profeta” e continuou em voz baixa: “Vocês não vão mais experimentar o que é desonra”.



Refleti demoradamente naquelas palavras e me convenci de que havia uma parte secreta da dor e do sofrimento de minha gente que ficava despercebida também a mim, e quase sentia um sentimento de pudor por ser excluída de sua participação.



Agora eu sou uma entre elas, uma das tantas anônimas mulheres do meu povo com o corpo destruído e a alma devastada. Nosso Senhor me admitiu a participar de seu mistério de vergonha; mais ainda a mim, Religiosa e freira, concedeu o privilégio de compreender até o fundo a força diabólica do mal.



Sei que, de agora em diante, as palavras de encorajamento e de consolação que conseguir extrair do meu pobre coração, serão com certeza aceitas, porque a minha história é a história delas e a minha resignação, sustentada pela fé, poderá servir, se não de exemplo, pelo menos de referencial para as suas reações morais e afetivas.



É bastante um sinal, uma pequena voz, um chamariz fraternal para colocar em movimentação a experança de um exército de criaturas desconhecidas. Deus escolheu a mim (Deus me perdoe esta presunção) para guiar as pessoas mais humilhadas da minha gente para um alvorecer de redenção e de liberdade. Não terão mais dúvidas sobre a sinceridade das minhas propostas, porque estou chegando da fronteira da abjeção.



Lembro que, quando freqüentava em Roma a Universidade “Auxilium” para a formatura em Letras, uma idosa docente de Literatura Eslava citava os seguintes versos do poeta Alexei Mislovich: “Tu não deves morrer, porque tu escolheste ficar do lado da vida”. Na noite em que fui dilacerada pelos sérvios, por horas seguidas continuava a repetir para mim mesma aquelas palavras que me pareciam como um bálsamo para a alma, mesmo no momento em que o desespero parecia aflorar para me apanhar. Agora tudo passou e, se me volto para trás, tenho a impressão de ter tido um terrível sonho feio.



Tudo passou, mas, Madre, tudo está para começar. No seu telefonema, depois de suas palavras de conforto, de que ficarei agradecida por toda a minha vida, a senhora me colocou uma clara pergunta: “Que farás da vida que te foi jogada no seio? “. Percebi que sua voz tremia ao me colocar esta interrogação, à qual achei pouco oportuno responder logo, não porque não tivesse já refletido sobre a escolha, a decisão a ser tomada, mas para não atrapalhar as eventuais propostas e projetos seus a meu respeito.



Eu já decidi. Se for mãe, o menino será meu e de ninguém mais. Sei que poderia confiá-lo a outras pessoas, mas ele tem direito, mesmo não sendo esperado por mim, nem pedido, ao meu amor de mãe.



Não se pode arrancar uma planta de suas raízes. O grão caído no chão precisa de crescer lá onde o misterioso semeador, mesmo sendo iníquo, o jogou. Realizarei minha vocação religiosa, mas de outra maneira. Não peço nada à minha Congregação, que já me deu tudo. Fico agradecida pela solidariedade fraternal das coirmãs, que nestes dias me encheram de atenções e amabilidades, em particular por não me ter incomodado com perguntas indiscretas. Irei embora com meu filho, se Deus quiser. Não sei ainda aonde, mas Deus, que interrompeu improvisamente minha maior alegria, me orientará e indicará o caminho a percorrer para cumprir sua vontade.



Voltarei a ser uma moça pobre, retomarei meu velho avental, meus tamancos, que as mulheres usam nos dias de semana, e irei com minha mãe a recolher a resina da casca dos pinheiros dos nossos vastos bosques.



Deve mesmo haver alguém que comece a quebrar a corrente de ódio que deturpa, há tanto tempo, os nossos países. Ao filho que vier (se Deus quer que venha) ensinarei mesmo somente o AMOR. Ele, nascido pela violência, testemunhará, perto de mim, que a única grandeza que honra a pessoa humana, é aquela do PERDÃO.